O FAROL, 2019, DE ROBERT EGGERS.
Estamos no inicio do século XX e Thomas Wake, zelador de um farol em um ilha isolada, recebe o jovem Ephraim Winslow para auxiliá-lo na manutenção desse farol. Thomas é um homem de caráter deformado pelo tempo e solidão e guarda mistérios perturbadores no fundo de sua alma. Isso aguça a curiosidade do jovem Ephraim que a todo momento faz o velho Thomas abrir suas feridas do passado.
O filme foi dirigido por Robert Eggers e escrito por ele e seu irmão Max.
Aqui, Eggers, dá uma aula de cinema. É notório ver que ele tem um conhecimento profundo da historia do cinema. A cinematografia nos remete a INGMAR BERGMAN, a câmera fluida lembra muito Andrei Tarkovisk principalmente ao belíssimo A INFÂNCIA DE IVAN. O uso de iluminação natural ajuda muito a fotografia em preto e branco.
No roteiro temos novamente a evocação de Bergman que lembra PERSONA e a HORA DO LOBO.
No elenco temos Wilhen Dafoe e Robert Pattinson e, MEU DEUS! A entrega desses dois atores é estonteante. Se despem de qualquer vaidade lutam na tela palavra à palavra. Com certeza temos uma outra dupla boa para OSCAR nesse ano de "duelos em cena" HISTORIA DE AMOR Scarlett Johansson X ADAM DRIVER, DOIS PAPAS: Anthony Hopkins X Jonathan Pryce e O FAROL: Dafoe X Pattinson.
O roteiro depende muito da atuações dos dois e sem uma interpretação visceral o filme iria afundar, literalmente. E entregam. As estranhas aparições que Pattinson vê durante o filme são tão críveis que o espectador em momento nenhum deixa de acreditar no que ele vê e Dafoe é tão nublado em suas palavras e trejeitos que não sabemos se ele está realmente ali. Indicação certa ao OSCAR
Mas um aviso: se você gostou de A BRUXA e está procurando algo parecido, passe longe.
Este para poucos, difícil de digerir e 100% sensorial ou seja se você vê-lo hoje terá um experiencia se vê-lo daqui 2 anos terá outra e assim por diante.
O FAROL é um tipo de filme que não é feito há muito tempo mas que mostra que ainda há espaço para filmes assim. Intimista, provocador, o filme faz uma autopsia na alma humana e à eviscera para uma análise com margem para várias interpretações. Nota 10.
INTERROMPEMOS NOSSA PROGRMAÇÃO, 2021, JAKUB PIATEK NETFLIX No Reveillon entre 1999 e 2000 um homem entra armado em uma estação de TV e faz reféns, Sua intenção? Ler uma carta, ao vivo, na virada do ano. Um filme que fez um certo burburinho no festival Sundance e que promete mais do que entrega. Dirigido por Jakub Piatek, o filme faz óbvias referências aos filmes de Sidney Lumet mais especificamente REDE DE INTRIGAS de 1976 e UM DIA DE CÃO, de 1975, mas fica apenas na referência já que não avança e, em vários momentos, empaca. O máximo que consegue é ser um versão abaixo do já mediano JOGO DO DINHEIRO de 2016. Interpretrações maquineístas e operacionais, em um filme com uma historia de bom potencial mas pouco aproveitada. NOTA: 5.5
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